Já pode anotar no caderninho: faltam três dias para a 4ª Mostra de Cinema de Gostoso abrir as inscrições. São Miguel do Gostoso (RN), cidade sede do evento, mandou avisar que os goianos não podem ficar de fora. Durante cinco dias, de 17 a 21 de novembro, uma tela de cinema será montada ao ar livre na Praia do Maceió, com projeção de resolução 2K.
Também serão feitas sessões em ambientes fechados, que incluirão debates com personalidades, diretores e atores dos filmes, entre outros. O melhor longa e o melhor curta-metragem serão escolhidos pelo público para receber o Troféu Luis da Câmara Cascudo.
A mostra é realizada pelaHeco Produções e pelo CDHEC – Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania e com o apoio do edital do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, incentivados pela Lei Rouanet. A curadoria coletiva é feita pelos 52 alunos dos cursos de formação técnica e audiovisual, o “Coletivo Nós do Audiovisual”, juntamente com a equipe da Heco Produções e direção geral de Eugenio Puppo e Matheus Sundfeld.
Se para um adulto receber a notícia que está com câncer já é complicado, imagina para uma pré-adolescente cheia de sonhos e planos? O que para a maioria das pessoas seria motivo de desespero e insegurança, para Débora Raza da Silva, de 12 anos, o diagnóstico foi uma boa oportunidade para demonstrar fé e otimismo.
Débora soube que tinha leucemia há cerca de sete meses e, sem perder tempo, começou o tratamento médico no Hospital Araújo Jorge, onde passa por sessões de quimioterapia de 21 em 21 dias. Dos seis ciclos de internações previstos, ela já cumpriu quatro. Por conta disso, foi forçada a se afastar da escola e passou a contar com o apoio dos profissionais do Núcleo de Atendimento Educacional Hospitalar (NAEH), que mantém classes hospitalares e domiciliares em Goiânia e no interior do Estado. O NAEH integra a Gerência de Ensino Especial da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte de Goiás (Seduce).
Muito embora Débora seja aluna da rede municipal de Goiânia, ela conta com atendimento pedagógico dentro do hospital graças a uma parceria com a prefeitura da Capital. Para a jovem, o projeto foi importante para ajudá-la a se fortalecer emocionalmente para enfrentar a doença com mais equilíbrio e tranquilidade.
E o caminho encontrado para isso, segundo ela, foi o desenho. Talento que ela descobriu ainda criança e que, desde então, cultiva como hobby. Aluna da Classe Hospitalar da unidade de saúde, ela explica que a ideia de ocupar o tempo desenhando foi dada pelas professoras Miriã Clemente de Freitas, que a acompanha na ala de quimioterapia no período da manhã, e por Heloísa Souza Viana, que atua na Pediatria no vespertino.
Otimismo
“Quando começo a desenhar até me esqueço de que estou no hospital. Me sinto em casa e deixo a minha imaginação fluir e me levar. Desenhando me sinto mais tranquila e feliz porque ocupo o meu tempo e me sinto mais confiante”, explica ela. As principais inspirações de Débora são os personagens de livros, desenhos animados e filmes de animação. Entre eles se destacam o Pateta, Mônica, Piu Piu, Minie, Bob Esponja, Mickey Mouse, Popeye, Rei Leão, Bart Simpson e o cachorro Odie, companheiro do gato Garfield.
Outras paixões de Débora são a leitura e a música. Sobre os livros, ela afirma que os que mais a marcaram foram O Grande Rabanete, alguns da série Crepúsculo, A Culpa é das Estrelas, A Cabana e O Chamado, que ela terminou de ler recentemente. Quanto à música, apesar da idade, ela prefere obras clássicas e eruditas. “Gosto muito de piano, porque me transmite muita paz e harmonia interior”.
Além de se sentir orgulhosa pelo talento artístico da filha, a mãe de Débora diz que o desenho tem ajudado muito a menina a passar pelas etapas do tratamento com muito otimismo e disposição para a cura. Maria de Jesus Costa da Silva ressalta que a garota enfrenta tudo com bom humor, segue à risca todas as recomendações médicas e se mostra 100% comprometida com o tratamento.
Motivada por suas professoras, Débora decidiu expor cerca de 200 trabalhos na Gerência de Ensino Especial da Seduce. As obras não só chamaram a atenção dos servidores como encantou a muitos, que decidiram adquirir vários deles, ainda que a intenção inicial não tenha sido de comercialização. O dinheiro arrecadado vai ajudar a família a custear o tratamento e também serviu de motivação para que Débora continue a aperfeiçoar-se em sua arte.
Parcerias
Wânia Elias Vieira de Oliveira, responsável pelo NAEH, também se empolgou com o sucesso da exposição e já pensa em uma nova edição para agosto. “Essa iniciativa da Seduce é fundamental para que o educando não perca o vínculo com os estudos e possa prosseguir com sua vida escolar mesmo passando por tratamento médico. O Núcleo valoriza as habilidades dos estudantes e, a partir de suas experiências, promove a mediação da aprendizagem de maneira contextualizada e interdisciplinar utilizando o Currículo Referência da rede estadual”, explica.
Este ano, o NAEH já atendeu mais de 500 crianças e adolescentes tanto em domicílio quanto por meio das classes hospitalares mantidas em dez instituições: Hospital Araújo Jorge (HAJ), Hospital das Clínicas da UFG, Hospital Materno Infantil (HMI), Santa Casa de Misericórdia, Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), Centro de Readaptação e Reabilitação Dr. Henrique Santillo (Crer), Hospital de Doenças Tropicais (HDT), Hospital Geral de Goiânia (HGG) e Hospital de Dermatologia Sanitária e Reabilitação (antiga Colônia Santa Marta).
Wânia Elias informa que o Núcleo conta com o apoio de parceiros importantes como a Universidade Federal de Goiás (UFG), que cede estagiários dos cursos de Pedagogia desde 2013 e de Biologia, Engenharia Civil e Engenharia Ambiental a partir deste ano. No ano passado, o projeto beneficiou 847 estudantes de Goiânia e do interior do Estado. Com as férias de julho, o atendimento educacional hospitalar e domiciliar entra em recesso no próximo dia 30 e só retorna no dia 2 de agosto.
Gustavo Elias (à esquerda) e Alexandre Nonato (à direita). Foto: Facebook/ Duo Goiás
Por Larissa Artiaga
A viola debaixo do braço, o canto entoado, um manuscrito na mão. Assim se portavam os cavalheiros do início do século passado, que sem deixar a goianidade de lado, transcreviam para o papel os sons do nosso estado.
Refiro-me aos cancioneiros populares, que com sua simplicidade, fizeram do homem rural uma figura emblemática no folclore brasileiro. Mas, para que a poesia se transforme em canção é preciso melodia. E, talvez, nenhuma outra melodia seja tão significativa para o povo goiano quanto a que sai de um instrumento de arco e cordas friccionáveis que teria se difundido na Europa a partir do fim da era medieval, a viola.
Se hoje Goiás se destaca como celeiro nacional da música sertaneja, isso se deve ao passado dedilhado na viola caipira, embora as canções de outrora sejam de fato bem diferentes do que ouvimos as rádios ‘tocarem em frente’ atualmente.
Contudo, a viola caipira resiste – a duras penas, é preciso ressaltar – está viva nos braços dos cancioneiros do presente, que, a despeito da massificação da música sertaneja, insistem em tocá-la por aí.
Dia desses tive a prova disso, quando vi, ouvi e senti uma apresentação do Duo Goiás. Criado em 2013 com o objetivo de resgatar a importância da música caipira e do cancioneiro popular, o Duo é formado por Alexandre Nonato (Viola) e Gustavo Elias (Violão).
Amigo de Gustavo desde a adolescência, Alexandre destaca que a paixão de ambos pela música surgiu de forma despretensiosa, a partir de ensaios na garagem de casa. “Tudo começou há uns 15 anos atrás, sempre com essa coisa da música bem forte. A música de raiz é um estilo de música que a gente sempre gostou, então eu acho que na verdade foi a música de raiz que nos escolheu e não nós que escolhemos ela. O projeto meio que se configurou de uma coisa orgânica que a gente já tinha. A viola deixa um sentimento em quem toca e em quem escuta, é algo meio divinal”, acrescenta Alexandre Nonato.
A paixão pela interpretação de músicas de cancioneiros populares se reflete no repertório da dupla, influenciada por Edino Krieger, Gilberto Mendes, Elomar, Tom Jobim, Astor Piazzola, entre outros. Somam-se ao som da viola, elementos da música clássica, MPB e Pop.
Apesar de nutrirem um apreço especial pelas tradições goianas e possuírem composições que retratam o cerrado, o sertão, a cidade e manifestações tradicionais de Goiás como a folia e a moda de viola, os músicos preferem não rotular o trabalho que produzem.
“As goianidades são muitas. O estado de Goiás contempla uma série de manifestações populares, não é só a Folia, não é só a Catira. Na música isso não é diferente”, afirma Gustavo Elias.
Circuito Alternativo
Em Goiás, a sobrevivência da música regional enraizada na viola caipira se deve, em parte, aos festivais e ao circuito alternativo.
Segundo Alexandre Nonato, os desafios para quem está fora do dito ‘comercial’ são muitos e incluem percalços financeiros e dificuldades de formação de um público cativo. Todavia, o “underground regional” passa por um momento de efervescência e oportunidades para quem trabalha duro. “É um bom momento sim, vários amigos estão nessa estrada sim e estamos nos unindo para fazer algo maior. Tem muita gente talentosa trabalhando, como por exemplo, as meninas do Ave Eva, César Machado, Encontro Violado, etc”, resume.
Entre as principais canções interpretadas pelo Duo, destacam-se: Samba da Campininha, Chico da Serra, Uirapuru e E A Mata Gemeu. A agenda de shows e o contato da dupla estão disponíveis no seguinte link.
Atriz, nascida na Rússia, veio para o
Brasil ainda criança e começou a carreira artística com Chacrinha
Como,
tristemente, divulgamos há algumas horas, o Brasil perdeu, nesta madrugada, um
dos maiores ícones da televisão brasileira, a atriz Elke Maravilha. Internada desde
o mês de junho para o tratamento de uma úlcera na Casa de Saúde Pinheira
Machado, em Laranjeiras (RJ), ela estava em coma induzido após sua última
cirurgia e não resistiu, falecendo aos 71 anos de idade, vítima de falência
múltipla de órgãos.
Elke
Georgievna Grunnupp nasceu em São Petersburgo, na Rússia, e veio para o Brasil
com os pais aos 6 anos para morar em Minas Gerais. Era poliglota e, antes de
entrar para o mundo da arte, trabalhou como intérprete, tradutora e professora
de línguas estrangeiras, incluindo o latim. Iniciou sua carreira de modelo aos
24 anos, partindo para a TV como jurada do Cassino
do Chacrinha.
Foto: Pinterest
Nos
trabalhos como manequim, conheceu a estilista Zuzu Angel, de quem se tornou
amiga próxima. Tanto que passou seis dias presa durante o regime militar por
rasgar cartazes de procurado de Stuart Angel, filho desparecido da amiga, fato
este que a fez perder a nacionalidade brasileira. A proximidade das duas foi
retratada no filme Zuzu Angel, em que Elke foi representada por Luana Piovanni.
Cenas do filme Zuzu Angel Foto: Uol
Seu
exotismo a fez interpretar papéis marcantes no cinema e televisão, como a dona
de um bordel na minissérie Memórias de um Gigolô. Seu desempenho foi tão
marcante que Elke foi convidada a ser madrinha da Associação das Prostitutas do
Rio de Janeiro. A atriz era conhecida por suas roupas extravagantes e perucas
chamativas com os quais se apresentava como juradas nos programas do Chacrinha
e Silvio Santos.
Antes
de ser internada, Elke vinha se apresentando pelo país com o espetáculo “Elke
canta e conta”, cujo repertório era passagens de sua vida desde a infância na
Rússia, casamentos, até a vida como modelo e apresentadora, além de canções
interpretadas em vários idiomas. A atriz ainda pode ser vista na participação
especial no filme Carrossel 2 – O Sumiço de Maria Joaquina.
A participação feminina
nos Jogos de 2016 é recorde e já traz destaques entre as atletas
O
número de mulheres competindo nos Jogos Olímpicos do Rio já é o maior de todos
os tempos. Ao todo, são 5.180 atletas inscritas em todas as modalidades,
superando em 10.77% o número de participantes das Olimpíadas de Londres. Apesar
de ainda não haver equidade entre os gêneros, a porcentagem representa um
grande passo ao considerar que as mulheres nem sempre foram permitidas a se
inscrever na competição. Porém, ainda há muito a ser conquistado.
As mulheres só começaram a participar dos
jogos olímpicos no ano 1900, quando a competição foi sediada em Paris. Na época,
as 22 atletas representavam 2,21% do total de competidores, disputando nas
modalidades de vela, críquete, tênis, hipismo e golfe. Brasileiras entraram
ainda mais tarde nas competições, na edição de 1920 e só começaram a ganhar
medalhas, inclusive de ouro, nos jogos de Atlanta em 1996, no vôlei de praia,
basquete e vôlei de quadra.
Tenista britânica Charlotte Cooper, a primeira mulher
a ganhar uma medalha Olímpica, em 1992.
Foto: Wikipédia
Foi
aí que o país comemorou a participação memorável de nomes como Hortência, Magic
Paula, Ana Moser, Fernanda Venturini, Virna, Jaqueline e Sandra. A partir daí,
as meninas foram ganhando ainda mais espaço, inclusive em modalidades até então masculinas, como o judô, futebol, salto em
distância e taekwondo. Nos jogos de Pequim, em 2008, nossas atletas trouxeram
nas malas o total de 15 medalhas, entre elas duas douradas com Maureen Maggi e
o time de vôlei de quadra.
Jaqueline e Sandra, ouro no vôlei de praia em 1996 Foto: IG
Neste
ano, as mulheres estão dando verdadeiro show em suas participações, com alguns
destaques. A brasileira Marta, a melhor jogadora de futebol do Brasil, lidera a
equipe feminina que, em seu terceiro jogo, já estava classificada para as
Quartas de Final. E ela não está sozinha,
formando com Formiga, que disputa sua sexta Olimpiada, o motor da seleção
brasileira. A judoca Majlinda Kelmendi, do Kosovo, levou a medalha de ouro na
modalidade, tornando-se símbolo de luta para seu país.
Formiga Foto: Zero Hora
Majlinda Kelmendi Foto: Zero Hora
Gaurika
Singh, do Nepal, tem apenas 13 anos e é a competidora mais nova dessa edição. Sobrevivente
de um terremoto em seu país, doou suas premiações para a reconstrução de
escolas. Também é uma guerreira a nadadora síria Yusra Mardini, que nadou por três
horas e meia entre Turquia e Grécia para salvar refugiados encalhados em um
barco. A ginasta Oksana Chusovina, do Uzbequistão, entrou para a história como
a mulher mais velha a competir em uma Olimpíada, aos 41 anos.
Gaurika Singh Foto: Zero Hora
Oksana Chusovitina Foto: Zero Hora
Yusra Mardini Foto: Zero Hora
E
o que dizer de nossa judoca Rafaela Silva que, aos 24 anos, trouxe a primeira
medalha de ouro da delegação brasileira, emocionando a todos com sua história
de vida e superação? Sem falar na equipe de ginástica olímpica brazuca que tem, entre suas
pequenas notáveis, Flávia Saraiva, que ganhou a simpatia do
público no último domingo com sua respeitável desenvoltura em todos os
aparelhos das provas. Aliás, os resultados da equipe, em um todo, garantiram vaga nas próximas etapas da competição.
Rafaela Silva Foto: Zero Hora
Equipe brasileira de ginástica olímpica Foto: Zero Hora
Para
que a participação feminina seja ainda maior nos próximos jogos, a ONU Mulheres
amplia o projeto Uma Vitória Leva à Outra, que oferece treinamento esportivo
aliado à discussões sobre gênero. O projeto atende 400 meninas no Rio de
Janeiro e pretende chegar aos 2,5mil no ano que vem, antes de ser disseminado para
outras regiões do país e América Latina. Esse é o ideal de expansão na unidade
brasileira do projeto, já que ele está presente em mais 25 países, contemplando
217mil mulheres.
Há
algumas semanas, lançamos aqui no Rota um post sobre mulheres viajando
sozinhas. Infelizmente, não param de surgir relatos de viajantes passando por
situações de risco, como o caso da britânica violentada por um tripulante
durante um cruzeiro de luxo, divulgado na semana passada.
Isso
desencoraja mulheres a embarcar sozinhas? Talvez! Mas, não deveria! Por isso,
trouxemos relatos de uma viajante nata, a jornalista Daniella Barbosa! A Dani, como é carinhosamente chamada, ama
viajar. Nascida aqui, já morou em
Curitiba, Europa e não se aguenta muito tempo no mesmo lugar, sem sair por aí,
explorando o mundo!
Ela
gosta tanto desse oficio “doloroso” de viajar que é blogueira e colunista em
sites especializados, além de ter seu próprio livro, o Expedição Brabo! Vem conhecer
um pouco da experiência da Daniella como viajante solo, além das dicas para
quem, como ela, quer sair por aí, vivendo novas e inesquecíveis experiências!
- Você tem experiências em viajar
sozinha? Já passou por alguma situação de risco ou constrangimento por ser mulher
em um lugar desconhecido?
Já viajei sozinha algumas várias vezes e acho que
essa é uma experiência que todo mundo que gosta de viajar deveria ter pelo
menos uma vez na vida, costumo dizer que viajar sozinho é libertador. Nunca
passei por uma situação de risco viajando sozinha, mas de constrangimento uma
vez quando viajei da Itália para França em um trem noturno. Eu compartilhava a
cabine com mais 5 pessoas, 4 deles homens e fui constantemente incomodada por
chineses com perguntas indiscretas, machistas e invasivas. A todo momento
invadiam o meu minúsculo espaço no trem. Só pararam de me importunar quando um
senhor indiano se posicionou na conversa e pediu que me deixassem em paz.
- Quais os destinos onde se sentiu mais
segura ao estar sozinha? E onde se sentiu mais ameaçada?
A Europa em geral é um lugar que me sinto bem
segura em viajar sozinha. Furtos , por exemplo, podem acontecer se você se
distrair, mas não ando com medo de ser estuprada ou me roubarem com uma arma na
cabeça. No Brasil, em algumas cidades já me senti ameaçada, por exemplo, no
centro histórico de São Luís do Maranhão.
- Como vê a percepção de viajantes
homens com relação a você, sozinha, passando e morando em diversos países,
tanto em viagem quanto a pessoas próximas a você?
Hoje tem muita gente que viaja sozinha, seja homem
ou mulher. Por isso mesmo digo que encontrei minha tribo nas andanças, a
tribo dos que gostam da liberdade , mas que também adoram interagir com outros
viajantes e com a comunidade local. Nunca sofri preconceito propriamente dito
por ser uma mulher viajando sozinha.
- O que você daria de conselho ou
informação às mulheres que não se intimidam a viajar sozinhas?
Primeiro que não é nenhum bicho de sete cabeças,
basta querer e se jogar na experiência. O mais importante é aproveitar a viagem
mas sempre alerta pra não cair em roubada. Não andar em lugares desconhecidos
sozinha e muito menos sem conversar com as pessoas do local pra saber se há de
fato algum risco. Não dar detalhes da sua vida e do seu roteiro para
desconhecidos.
A hora da despedida é sempre a mais difícil! Acompanhe a última etapa dos Goianos na Irlanda antes de seguirem caminho para o tão sonhado intercâmbio!
Olá, pessoal, tudo bem? No
post passado, contamos pra vocês os nossos primeiros desafios para colocar o
nosso plano de intercâmbio em prática e hoje, vamos continuar...
Desafio 3- Deixar nosso
apartamento
Decidimos alugar o nosso
apartamento e precisávamos fazer isso o mais rápido possível, pois, queríamos
viajar com esse assunto resolvido. Assim, na primeira semana após a nossa saída
do trabalho, começamos a nos preparar para a mudança.
O nosso plano era mudar para
a casa dos pais do Alexandre. Essa parte era tranquila, mas, durante o
planejamento, percebemos que lá não teria espaço para toda a nossa mobília.
Decidimos manter o básico (cama, fogão, geladeira, uma TV e mais algumas
coisinhas) e anunciar a venda das outras coisas. Vendemos por “preço de banana”
nossos móveis, aqueles pelos quais ralamos muito para juntar a grana e adquirir,
fazendo questão de comprar de boa qualidade. Pela primeira vez, nosso coração apertou! Tive a sensação de
prejuízo, desperdício de dinheiro, falta de consideração com meus móveis rsrsrsrsrs Esta era a primeira das
várias prestações emocionais que tivemos que pagar.
Vendemos algumas coisas, no mudamos,
assistimos uns tutoriais no You Tube,
pintamos nosso “Apê” com nossas próprias mãos e, finalmente, chegou o dia de
dizer “até logo” para a nossa “casinha”. Dedicamos cinco anos da nossa vida
naquele lugar, planejamos ambientes, os vimos tomar a forma que sonhamos,
abrimos mão de férias e outros momentos de lazer a fim de economizar uma “grana”
para fazer tudo aquilo acontecer. Nos emocionamos no dia da entrega das chaves
e, de repente, era como se tivéssemos apertado o botão reset! Toda a dedicação se transformou em 60 metros quadrados de
paredes brancas, frias e vazias. Eu chorei... e quem disse que seria fácil!?
Desafio 4 – Cork for Two
Algumas coisas aconteceram
ao mesmo tempo, mas, se eu for contar tudo de uma vez fica meio confuso então,
estou separando em tópicos pra ficar mais organizado hahaha.
Como disse anteriormente,
assim que escolhemos Cork como nosso destino, começamos a respirar Irlanda 24
horas por dia e usávamos todo o tempo livre que tínhamos para ler e pesquisar o
máximo de informações possíveis. Encontramos muito material de qualidade em sites,
blogs e grupos no Facebook, o que nos
ajudou bastante. O único problema é que, apesar das regras ou dicas serem
válidas para toda a Irlanda, sentíamos falta de algo especificamente para Cork
e, assim decidimos criar nosso blog e nosso canal, ainda no Brasil, mostrando
os nossos preparativos.
No começo éramos bem atrapalhados. Tinha a
timidez, a falta de técnica para gravar e editar, não tínhamos muitos
equipamentos e, ainda assim, continuamos.
Temos muito pra melhorar, mas, quando vemos os primeiros vídeos,
conseguimos perceber a nossa evolução. Crescemos dia após dia e esclarecemos as
dúvidas de muita gente com esse mesmo objetivo. Não dá para mensurar o quanto é
gratificante ajudar essas pessoas, é uma troca de energia fantástica. O Cork for Two é um filho que cresce
conosco e nos deixa cada dia mais orgulhosos.
Desafio 5 – Sustos pré-intercâmbio
Depois de tomarmos todas as
decisões, assinar contrato e efetuar o pagamento, recebemos algumas notícias
inesperadas, como se a adrenalina já não
fosse suficiente.
A legislação para os
estudantes de inglês na Irlanda mudou drasticamente, descobrimos vários pontos
negativos na escola que íamos estudar (não tínhamos condições de mudar) e,
poucos dias depois de comprar as nossas malas, as companhias aéreas mudaram as
medidas do tamanho padrão. Fora outras coisinhas que não estavam diretamente
ligadas ao intercâmbio, mas, que faziam parte do nosso processo de mudança, nos
pegando de surpresa.
Tudo aconteceu praticamente
ao mesmo tempo e o desânimo foi inevitável. A nossa sorte foi que conseguimos
resolver o que estava ao nosso alcance e nos apegamos aos pontos positivos daquilo
que não podíamos resolver, seguindo firmes. Ainda tinha muita coisa para
preparar e isso ajudou a nos distrair dos problemas, não dava tempo para
lamentar ou pensar muito em toda aquela “loucura”.
Desafio 6 – Despedidas
A data do embarque se
aproximava e as despedidas eram inevitáveis. Por questão de espaço e logística,
optamos por fazer três festinhas: uma para a família do Alexandre, uma para os
amigos e outra para a minha família. Foi outro momento delicado, com um turbilhão
de emoções, porém, muito gratificante. Recebemos energia positiva, palavras
motivadoras e, mesmo com o coração apertado, conseguimos nos despedir de todas
as pessoas importantes e, receber tanta coisa boa de gente tão querida, em um
momento tão revolucionário das nossas vidas, foi fantástico. Estávamos prontos para colocar a mochila nas
costas e seguir em busca do nosso sonho.
Bom, pessoal, esse foi o
resumo do que passamos durante os cinco meses desde o instante em que plantamos
a “sementinha” dessa idéia até o nosso embarque. Foi um período curto e muito
intenso da nossa vida. Chegamos aqui, descobrimos um mundo novo, aprendemos
muito mais que um idioma e temos a absoluta certeza de que tomamos a decisão
certa. A partir de agora, vamos compartilhar com vocês um pouco das nossas
experiências aqui de forma leve e divertida. Estava “doida” para chegar nessa parte! Que
venha a cereja do bolo!!! Cheeers ;)
Todo mundo acompanhou - e adorou - o começo da história da Brenda e do Alexandre na semana passada! Continue seguindo o começo da saga desses dois goianos na Irlanda!
Olá pessoal, tudo bem!? Hoje
continuo a contar pra vocês a nossa saga pra fazer um intercâmbio. Vamos lá!
Agências de intercâmbio.
Apesar de ter escolhido um
destino, ainda não tínhamos muita noção das possibilidades e programas que
poderiam nos atender. Por este motivo, decidimos visitar algumas agências
especializadas no assunto. Fizemos uma lista com 3 delas e fomos visitá-las. Eu
não estava muito segura, pois, não tínhamos um perfil comum dos intercambistas
goianos (solteiros, cursando ensino médio ou os primeiros períodos da
faculdade, faixa etária de 16 a 25 anos, alto poder aquisitivo) e isso poderia
não despertar confiança e interesse por parte das agências.
A primeira seguiu ao pé da
letra toda a minha expectativa negativa. A atendente nos disse que não existia
um programa de estudo e trabalho no Canadá, fez um orçamento de um curso de
inglês com valor exorbitante e não teve o menor interesse em nos oferecer outros
destinos que pudessem nos atender.
A segunda não estava no
nosso roteiro mas, por se localizar na mesma galeria de outra que incluímos na
lista, resolvemos entrar para conhecer. Fomos bem atendidos pelo proprietário e
foi ele quem nos apresentou o destino Irlanda, nos oferecendo programas para
estudar Inglês na capital do país, Dublin. Ouvimos o que ele tinha a dizer mas,
ainda não ficamos convencidos pois a alta cotação do Euro nos deixava inseguros
em relação a qualquer país da União Européia.
Fomos para a terceira empresa
(que nos foi muito bem recomendada) e gostamos muito do atendimento. A agente percebeu
rapidamente o que queríamos e, depois de uma conversamos sobre alguns países e
seus respectivos programas, decidimos solicitar o orçamento para dois deles,
Nova Zelândia e novamente IRLANDA. Já tínhamos um orçamento da agência anterior
para Dublin então, resolvemos ter mais uma opção e pedimos um orçamento para
Cork, a segunda maior cidade do país. A atendente dominava o assunto, nos
explicou sobre os trâmites de cada país e fez um orçamento simples e fácil de
entender.
A escolha definitiva do destino
Ao chegar em casa eu,
Brenda, estava super empolgada com a Nova Zelândia, já me imaginava visitando
as locações do Senhor dos Anéis, hahaha.
Mas, analisando o custo benefício dos programas, chegamos a conclusão de que a
Irlanda seria o nosso melhor destino. Estávamos cansados do estilo de vida de
uma capital e Cork surgiu como uma ótima opção. Desse dia em diante, passamos a
pensar, viver, respirar Irlanda e Cork 24 horas por dia.
Desafio 1 – Contar para a família do Alexandre
Os pais do Alexandre sempre
foram nossos conselheiros, nunca tomamos uma decisão importante sem
comunicá-los, sem pedir algum conselho e com essa não poderia ser diferente.
Marcamos uma reunião familiar e ficamos um pouco nervosos, a aprovação deles
era o primeiro passo concreto para a realização do nosso projeto.
Reunimos a maior quantidade
de informações possível: sobre o programa, a escola, a cidade e apresentamos
junto com o orçamento e um plano de ação resumido. Explicamos a necessidade de
estudar inglês e os motivos que nos levaram a ter a ideia de fazer isso em
outro país.
Eles ficaram um pouco
surpresos no começo da conversa mas, a medida que fomos explicando, perceberam
que estávamos decididos e tínhamos um plano concreto para fazer tudo acontecer
da melhor forma possível. Apesar de ainda assustados e preocupados com tudo que
estava por vir, nos deram a “benção” e apoiaram em tudo que precisamos.
Desafio 2- Deixar nossos
empregos
Agora com o apoio da família,
poderíamos dar continuidade ao nosso projeto e o próximo passo seria comunicar
a nossa saída dos respectivos empregos. Este passo também era muito importante,
pois, toda a grana que receberíamos
em nossos “acertos” seriam
direcionadas para a execução do intercâmbio.
Eu, Brenda, fui demitida e recebi
todos os meus direitos, colhi os frutos de 5 anos de muita dedicação e amor ao
meu trabalho. O Alexandre tinha um tempo menor de empresa e esperou o chefe
voltar de férias para fazer o seu comunicado. No caso, como foi ele a pedir
demissão, recebemos um valor bem pequeno. Juntamos os dois montantes, usamos
cada centavo com sabedoria e fizemos render bastante. Às vezes, quando me
lembro dos números, sinto um frio na espinha, mas ainda me impressiono
diariamente como cada centavo investido vale cada milésimo de segundo vivido
aqui.
Conseguimos programar a data
das nossas saídas e começamos a dar os demais passos concretos necessários. Assinamos
o contrato com a agência de intercâmbio (com muito frio na barriga) e demos
entrada no processo de solicitação dos nossos passaportes. Assumimos
oficialmente o compromisso, agora não tinha mais volta.
Assim terminamos mais um
capítulo da nossa novela. Mas os desafios continuaram, não percam o próximo episódio.
Até lá ;)
Brenda.
A Brenda manda um recado para quem quer acompanhar mais de perto as dicas e rotinas do Xandy e Dinha em Cork!
Eles estão migrando seu blog para o Wordpress mas, ainda conseguem acessar pelo Blogger. Então, segue os links e contatos!
Comecemos
nosso post de hoje com um pequeno vídeo. Assista!
Assistiu?
A cena que você acabou de ver faz parte do filme “Sob o Sol da Toscana”, de
2003. Nela, Francis, personagem de Diane Lane, é seguida por homens pelas
vielas de Roma, enquanto procurava uma loja de antiguidades. Apenas para
esclarecer: no longa, a protagonista é uma escritora americana que decidiu
viajar pela Itália após o traumático divórcio. Ao ver o anúncio de uma casa à
venda na região de Cortona, decide comprá-la e se mudar para lá. Ah mas, qual o
problema? Os italianos são assim mesmo, charmosos e cortejadores, não é verdade?
Pois
bem, Francis é uma personagem cinematográfica. Maria Jose Coni e Marina
Menegazzo, não. As turistas argentinas foram mortas em março deste ano durante
um mochilão pelo Equador, mais precisamente em Montañita, por dois homens que
confessaram os assassinatos. O crime levantou calorosos debates a respeito do
machismo e da violência contra mulheres, além da exposição das duas como “vítimas
em potencial” pois, ao embarcarem “desacompanhadas”, assumiram o risco de
sofrer algum tipo de agressão.
Certo
mas, qual a relação entre a escritora romântica e as viajantes da vida real? Os
riscos (absurdos, diga-se de passagem) que uma mulher corre ao viajar sozinha. No
primeiro caso, há o hábito grotesco de romantizar o assédio, tornando-o quase
como uma cultura masculina em certos países. Na tragédia envolvendo as jovens,
a culpabilização da vítima, algo que já virou rotineiro em casos de violência
contra a mulher ou o feminicídio, como se o “certo” fosse que as mulheres se trancassem
em suas cidades e só saíssem delas em companhias masculinas.
O
que, de fato, também não as resguarda de qualquer agressão. Em dezembro do ano
passado, uma turista alemã foi assaltada e estuprada durante um passeio pelas
dunas de Jericoacoara, destino cearense conhecido por seus cenários paradisíacos.
A moça, que não foi identificada, relatou que, na madrugada do crime, estava
acompanhada pelo amigo austríaco que, além de não intimidar o agressor, ainda não
conseguiu impedi-lo. Diante disso, podemos afirmar que o problema vai muito
além do simples fato de estar, ou não, ao lado de uma presença masculina.
A
estudante goianiense Renata Cursino tem o hábito de viajar sozinha ou entre
amigas e já passou por momentos muito parecidos ao de Francis. Ela chama a
atenção para a ocasião em que, durante uma viagem para Curitiba com uma amiga, ambas
foram seguidas durante a noite, na saída de uma boate, por homens que desciam a
rua de carro. As duas precisaram se dirigir a uma viatura policial parada em
uma praça para se desvencilhar dos assediadores. Situação semelhante ocorreu,
novamente, em Florianópolis, desta vez, dentro de uma badalada casa noturna.
Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal
“Acho
que é mais sobre esse estigma atrelado à mulher que viaja sem a companhia
masculina de que ela está sempre disponível. E não há o respeito pela mulher e,
sim, pela figura masculina, e não a mulher como ser humano”, opina a jovem. Ela
reforça que, ao viajar em grupo de amigos que incluem homens, as mesmas situações
não ocorrem. Essa impressão foi exposta por Catalina Ruiz Navarro, em sua
coluna no El Espectador, na ocasião da tragédia envolvendo Maria e Marina. Ela e
milhões de internautas se revoltam com a desigual liberdade de ir e vir entre
homens e mulheres.
De
acordo com especialistas da área, os destinos mais procurados por viajantes
femininas são o litoral brasileiro, América do Sul e Europa. Junto com as
indicações de roteiro, vêm as recomendações. Cláudia Portes, consultora de
viagens, recomenda o maior número de informações atualizadas sobre a região a
ser visitada. Patrícia Freitas, também profissional do Turismo, completa que,
independente do gênero, ao viajar sozinho, o turista precisa ser descolado e
dominar algum idioma além do nativo, além de evitar países em zonas de conflito
ou em períodos de extremismo.
Como
profissionais, as dicas. Como mulheres – e mães, a mesma insegurança. Claudia,
por exemplo, não embarca sozinha, mesmo em viagens curtas. “Sozinha não, e nem pretendo. Com amigas
sim, sem nenhum problema”, afirma ela, categórica. Com relação às
filhas, a agente de viagens diz que, infelizmente, sua maior insegurança reside
nos destinos nacionais. “Tive oportunidade de minhas filhas viajarem no Brasil
e para fora, sempre me preocupei muito mais com elas no Brasil , devido a insegurança”.
Assim como a colega de profissão, Patrícia também
não vê problemas em viajar entre amigas, mas, não acha interessante traçar um
roteiro solo. No entanto, precisa orientar a filha única em suas viagens. A jovem
tem larga experiência em desbravar o mundo sozinha, inclusive vivenciando
intercâmbio em continente europeu. Apesar dos temores maternos naturais, a
consultora nunca a impediu de seguir seu caminho. “Apoio com o coração
apertado, coisas de mãe e, também, porque ela concorda que em alguns países ela
não iria sozinha”.
Apesar de relatos e riscos, infelizmente reais,
as mulheres continuam viajando sozinhas. E não poderia ser diferente. Por isso,
é tão importante o movimento feminista, que busca o empoderamento das mulheres
em suas atividades rotineiras que incluem, obviamente, o direito de viajar. As mulheres
não podem, nem devem se resignar mas, do contrario, precisam continuar a
mostrar aos homens e ao mundo que não são um alvo fácil. E que a culpa de um
assédio, de uma agressão não é, nem nunca será, culpa da vítima.